
“É preciso encontrar mercado que use cada tipo de materiais recicláveis, para incentivar a população a cada vez mais separar esses resíduos”. A afirmação é do especialista alemão Günther Langer, da empresa pública AWM responsável pelo gerenciamento de resíduos sólidos da cidade de Munique. Ele foi um dos painelistas de um Workshop realizado nessa quinta-feira pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) na UNAERP Guarujá.
Ele apresentou o processo de coleta e tratamento do lixo em Munique, na Alemanha, cidade com cerca de 1,5 milhão de habitantes, e as soluções tecnológicas usadas na gestão desses resíduos, que permitem reciclar 55% desses materiais. Para Langer, “se o lixo não for produzido, essa é a melhor forma de se evitar os resíduos. E se eles forem gerados, recicla-los para que sejam produtivos, que possam gerar outros produtos. E que se evite ao máximo o uso de aterros, porque é a maneira mais prejudicial para o meio ambiente”.
O evento também contou com apresentações de técnicos do IPT que mostraram soluções tecnológicas para segregação, separação e acondicionamento de resíduos, além de técnicas de compostagem, tecnologias para biodigestão, compostagem e tratamento técnico do lixo.
A pró-reitora da UNAERP Guarujá, Priscilla Bonini Ribeiro, ressalta que “falar de resíduos sólidos é permitir a permanência viva do nosso planeta. E essa responsabilidade é de todos, da população, das empresas e do poder público, para garantir nossa sustentabilidade”. Uma das organizadoras do workshop, a professora da UNAERP Marcia Galinski, destaca que o desafio hoje é ampliar a competitividade alicerçada na sustentabilidade, e para ela, o workshop pôde ampliar essas discussões.
Segundo a pesquisadora do IPT Claudia Echevenguá Teixeira, responsável pelo estudo para elaboração do plano regional de gerenciamento de resíduos, a Baixada Santista (somando todos os municípios) gera diariamente cerca de 2 mil ton de resíduos/dia, sendo que 98% desses materiais vão para aterros sanitários, e só uma parte é reciclada com atuação de 12 cooperativas em toda a região. “Estamos trabalhando a elaboração desse plano inclusive com as possibilidades para angariar os recursos e indicando as ações necessárias para implementação desse sistema”.
Secretários e representantes de Meio Ambiente das cidades da região estiveram presentes, dentre eles Guarujá, Santos, Bertioga, Praia Grande, Cubatão e Itanhaém, além da participação de estudantes, pesquisadores e membros da comunidade. Sidney Aranha, secretário de Guarujá, afirmou que o município está ampliando a coleta seletiva de maneira gradativa. “Mas estamos aguardando o estudo do IPT que vai permitir a identificação das ações mais adequadas, permitindo uma integração entre todas as cidades da região”.
O workshop foi uma realização do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Governo do Estado de São Paulo, UNAERP Guarujá, com apoio da representação do Estado da Baviera no Brasil, Agência Metropolitana da Baixada Santista (AGEM) e Prefeitura de Guarujá.
ENTREVISTA GÜNTHER LANGER
Qual a importância de um workshop desse?
Este workshop é importante para a troca de experiências. Lá na Europa, já fazemos esse gerenciamento de resíduos há 30 anos. E aqui no Brasil vocês estão começando este processo. Então, isso é bem interessante para ampliar o conhecimento e know-how, e ver que são possíveis de adaptá-las à realidade brasileira.
Quais os benefícios que ele trará para os alunos presentes?
Trazemos as experiências de gerenciamento de resíduos da cidade de Munique, que possui 1,5 milhões de habitantes, que possui um sistema de gestão de resíduos, mas este não é a única forma de se fazer isso. É importante discutir as diversas formas, essa troca de experiências, para encontrar a melhor alternativa para este modelo de gestão aqui no Brasil.
As experiências que você trouxe de Munique, vão ajudar em que sentido? O que pode ser feito para que os resíduos sólidos sejam gerados de maneira correta?
Se o lixo não for produzido, essa é a melhor forma de se evitar os resíduos. E se eles forem gerados, recicla-los para que sejam produtivos, que possam gerar outros produtos. E que se evite ao máximo o uso de aterros, porque é a forma mais prejudicial para o meio ambiente.






