O monitoramento e o sistema de alerta de desastres em Guarujá foram temas de uma palestra da Defesa Civil realizada recentemente, a convite da Engenharia Civil da Unaerp Guarujá. A atividade teve como objetivo compreender a importância de se conhecer o clima, a formação geológica e os eventos mais comuns para prevenção de desastres sócio-naturais, também para o planejamento de projetos urbanísticos, obras mitigadoras e para planejamento na construção civil.
A palestra foi ministrada pelos geólogos da Defesa Civil de Guarujá, Carlos Adolfo Silva Fernandez e Jozzefer Vincov de Abreu. A atividade teve o apoio da Associação de Engenheiros e Arquitetos da cidade e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-SP), e foi transmitida simultaneamente aos associados pelo canal da associação no Youtube.
De acordo com o geólogo Carlos Adolfo Silva Fernandez, quando se pensa em clima refere-se ao conhecimento dos dados climáticos em longo período do tempo, e essas informações são necessárias para prevenção dos desastres sócio-naturais. “O monitoramento nos ajuda a prever e monitorar as ações de prevenção no município de Guarujá, sendo que os principais eventos na cidade são os deslizamentos, as inundações e enchentes e a erosão costeira.”
Fernandez também destacou a relevância desse monitoramento para a construção civil. “Em uma região como a nossa, que tem um índice pluviométrico anual em média de 2 mil milímetros, extremamente chuvosa, tem que se ter essa preocupação. E isso só se consegue com monitoramento climático, ou seja, com dados sequenciais ao longo de anos (...) para ajudar o profissional (de engenharia civil) não só na hora de planejar a obra, mas saber as condições climáticas em que pode ser impedido de trabalhar.”
Carlos Adolfo Silva Fernandez também explicou a geomorfologia da Ilha de Santo Amaro onde está situado o município de Guarujá. Nos 22 quilômetros de extensão de uma ponta à outra da ilha são dois tipos de relevo principais: a planície costeira e os maciços isolados compostos por 22 morros. Para o palestrante, é relevante conhecer também a estrutura física do local onde está sendo executada a obra, pois “frente a eventos climáticos severos, cada um desses relevos vai apresentar uma vulnerabilidade ou uma suscetibilidade a ter determinado tipo de problema, como alagamentos, inundações, deslizamentos, escorregamentos”.
Já o geólogo Jozzefer Vincov de Abreu abordou as ações de resposta e recuperação à tragédia ocorrida entre os dias 02 e 03 de março de 2020, onde no acumulado de 72h choveu 381 milímetros, mais do que o esperado para todo o mês. Esse desastre deixou 34 mortos, 37 feridos e centenas de pessoas desabrigadas devido aos 150 pontos de escorregamentos.
Para o coordenador do curso de Engenharia da Unaerp Guarujá, o evento foi bastante produtivo. “Agradecemos imensamente pela palestra e pela parceria que a Defesa Civil tem com a Unaerp. Os profissionais apresentaram relatos com riqueza de detalhes. Parabéns à Defesa Civil por todo o trabalho realizado.”
Recursos tecnológicos de monitoramento - Durante a palestra, os participantes conheceram as ferramentas de monitoramento, como os pluviômetros, sensor de raio, estações meteorológicas, imagens de satélite, previsões meteorológicas diárias, sensores de umidade. No caso das PCD geotécnica, em parceria com o Centro de Monitoramento CEMADEM, são 15 pontos de medição em Guarujá, e um deles fica no gramado da fachada da Unaerp Guarujá. Os dados das chuvas das últimas 6 horas ou até as últimas 96 horas em Guarujá, identificados por esses equipamentos, podem ser consultados no site http://www2.cemaden.gov.br/mapainterativo/.

A palestra foi direcionada a estudantes e profissionais de Engenharia Civil da Unaerp Guarujá e associados da AEAGuarujá, com apoio do CREA-SP

Um dos palestrantes, o geólogo Carlos Adolfo Silva Fernandez apresentou detalhes sobre o monitoramento climático e a geomorfologia da cidade






