
O uso de cigarros eletrônicos durante a gestação pode estar ligado a recém-nascidos com baixo peso ao nascer, diminuição da amamentação, disfunções no desenvolvimento neuromotor, perímetro cefálico menor que o ideal e mais chances de internação dos bebês em unidades de terapia intensiva (UTI). Isso é o que mostra um estudo publicado no final de julho na revista Research, Society and Development, conduzido pelo docente de Medicina da Unaerp Guarujá, Prof. Dr. José Cláudio Garcia Lira Neto, e outros dois pesquisadores.
O estudo “Análise dos riscos do uso de cigarros eletrônicos na gravidez: uma revisão integrativa”, foi desenvolvido pelo médico Carlos Eduardo Passos Pereira, pelo professor doutor em Enfermagem na Promoção da Saúde e docente da Unaerp Guarujá, José Claudio Garcia Lira Neto, e pelo psicólogo e pedagogo sanitarista doutor em Saúde Coletiva, Breno de Oliveira Ferreira.
Proibidos de comercialização no Brasil desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), os cigarros eletrônicos, também conhecidos como vape ou e-cigarettes, são dispositivos que aquecem um líquido (normalmente com nicotina) que se transforma em vapor que é inalado pelo usuário. O hábito de vaping (usar o cigarro eletrônico) tem se tornado cada vez mais popular entre adolescentes e adultos jovens, incluindo as gestantes.
No artigo publicado, os três pesquisadores investigaram estudos recentes de importantes bases de dados - sendo analisados ao todo 452 textos científicos - até chegarem a uma amostra com cinco pesquisas sobre o tema, sendo uma no Reino Unido, duas na Irlanda e outras duas nos Estados Unidos.
A partir das análises, pôde-se ter como resultado que os principais riscos identificados pela exposição ativa aos cigarros eletrônicos durante o período gestacional destacam-se para os recém nascidos, mas ainda segundo o artigo, “os autores reforçam que as gestantes estavam expostas à substância cangerígena 4- (methylnitrosamino)-1-(3-pyridyl)-1-butanona (NNK) em níveis maiores às fumantes de cigarros tradicionais, trazendo alerta também sobre os efeitos adversos e riscos a longo prazo com o vaping. "É possível afirmar que os danos existem e precisam ser identificados precocemente, para uma melhor orientação e condução clínica", explica o professor José Cláudio Garcia Lira Neto.
Confira mais detalhes na entrevista com o Prof Dr José Cláudio Garcia Lira Neto:
Como surgiu a proposta do estudo?
- A proposta surgiu a partir de discussões entre os colegas, que possuem formações diferentes, e que assim como eu, também estavam preocupados sobre a saúde da mulher grávida que usa cigarro eletrônico. Em minha experiência prática, percebi que algumas pacientes - em especial, as adolescentes - estão trocando o cigarro tradicional pelo eletrônico com o argumento de ser mais saudável. Assim, após algumas conversas informais, decidimos então compreender melhor o assunto, uma vez que ainda há uma grande lacuna no conhecimento sobre o tema.
O que esses resultados trazem de alerta para as gestantes? O que esses riscos podem representar para a saúde e desenvolvimento dos bebês a longo prazo?
- Sem dúvidas são um grande alerta para as gestantes, para as futuras mamães e para os profissionais de Saúde. A substituição do cigarro tradicional pelo eletrônico (ou vape) traz inúmeros malefícios – alguns destacados no estudo, tais como, risco de abortamento, parto prematuro, alterações respiratórias ou diminuição da circunferência cefálica – o que pode levar a um comprometimento neuropsicomotor. Ainda é muito cedo para se afirmar os comprometimentos a longo prazo, uma vez que temos visualizado o hábito do uso desses cigarros há pouco mais de uma década. Mas, é possível afirmar que os danos existem e precisam ser identificados precocemente, para uma melhor orientação e condução clínica.
Quais as contribuições desta análise?
- Para as gestantes, isso é um lembrete sobre a necessidade de abandono do hábito de fumar. Para a população em geral, um aviso sobre os riscos desnecessários que esse vício pode causar – inclusive para jovens adultos (população que mais usa esses cigarros). Já para os profissionais da saúde, esse estudo traz uma importante contribuição acerca das evidências sobre o vape e a urgência por intervenções práticas a curto, médio e longo prazo. Os prejuízos existem, estão descritos e eles precisam ser levados em consideração para que possamos prevenir enfermidades e suas respectivas injúrias.
O estudo científico pode ser consultado na íntegra no link: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/32797/27681

Durante a gestação, tanto o cigarro tradicional quanto o eletrônico (ou vape) trazem inúmeros malefícios para a formação do bebê






