Escape Room: Medicina Guarujá usa simulações e jogos para estimular a aprendizagem médica

Na sala de emergência, a equipe médica tem poucos minutos para avaliar e identificar os problemas de saúde no paciente e decidir sobre qual tratamento irá salvar mais uma vida. Esta é a rotina em casos de urgência e emergência, onde correr contra o tempo e ser assertivo na anamnese e tratamento são fundamentais. Visando desenvolver essas competências nos futuros médicos, a Medicina Unaerp Guarujá realiza desde 2022 o projeto Escape Room, com simulações e desafios para prepará-los para esses atendimentos.

A atividade é conduzida pelos docentes da Medicina Guarujá André Luís Andriolo, que é médico neurocirurgião e emergencista, coordenador da área de Habilidades Médicas do curso, e Matheus de Sousa Arci, enfermeiro, professor da Medicina e diretor do departamento de enfermagem da Associação Brasileira de Medicina de Emergência. Eles explicam como o projeto foi idealizado.

“O projeto Escape Room coloca os alunos para atendimentos simulados e avaliados segundo pontuações pré-determinadas, com ações especiais que são, ou deveriam ser, tomadas neste paciente”, ressalta Andriolo. Arci declara ainda que a ideia surgiu para aperfeiçoar o ensino médico. “É um método que é usado em programas de residência, e existem evidências de que melhora o aprendizado do aluno no desenvolvimento de suas competências”.

O coordenador do curso de Medicina da Unaerp Guarujá, Prof. Dr. Geraldo Magela Nogueira Marques, salienta que o Escape Room vem corroborar com o método PBL e proporciona aos estudantes a qualificação necessária para o exercício profissional em situações de ameaça à vida, resultando em uma assistência qualificada aos pacientes.

Metodologias ativas - O projeto Escape Room utiliza duas metodologias ativas de aprendizagem: a simulação realística e a gamificação. Dentro do conteúdo programático enviado aos alunos, são envolvidos casos de problemas renais, endócrinos, respiratórios e neurológicos. E ainda, casos relacionados à cirurgia geral, trauma abdominal, trauma torácico, acidente automobilístico, trauma crânio encefálico, entre outros, onde são trabalhados o raciocínio lógico, o trabalho em equipe e a tomada de decisão.

Nas aulas nos Laboratório de Simulação Realística, os docentes recriam situações de urgência e emergência com bonecos simuladores de alta precisão, que reproduzem os sinais vitais e reações dos pacientes em ambiente controlado, em três modelos: adulto, infanto-juvenil e gestante. Os alunos podem exercitar a anamnese e tratamento, e compreender quais abordagens devem ser adotadas. “O aluno é colocado para simular atendimentos de diferentes complexidades, muito próximos da realidade, sem exposição ou risco desnecessário, tanto para o aluno quanto para o paciente”, esclarece Andriolo.

Dentro do conceito de jogos educacionais (gamificação), o Escape Room estimula a competição como alavanca de desenvolvimento de aprendizagem, com tempo regressivo e com a tarefa de desvendar o enigma que acomete aquele paciente. Divididos em grupos, os alunos são estimulados a identificar os problemas e propor soluções que garantam a sobrevida do paciente em um tempo máximo de 15 minutos. “Situações de emergência precisam ser identificadas e tratadas imediatamente, ou seja, reconhecer e tratar as lesões que ameacem a vida de forma imediata”, enfatiza Arci.

Competências individuais e coletivas - Outras aptidões podem ser aprimoradas por meio do Escape Room, como afirma o Prof André Andriolo. “No ambiente controlado, podemos trabalhar com naturalidade todos os aspectos. Por exemplo, se as medidas adequadas para o caso não foram feitas corretamente, ou a tempo, o simulador demonstra piora progressiva dos sinais vitais, chegando inclusive a óbito. Isso nos permite não somente discutir os pontos a melhorar, os protocolos de atendimento, mas também o comportamento do aluno frente ao óbito”.

Prof Matheus Arci completa que “a finalidade é trazer robustez aos conhecimentos dos alunos, e para que quando forem para o campo de estágio, para o internato ou ao terem contato com os pacientes já tenham tido essa quebra de paradigma de como atender, como se posicionar, e ter a empatia ao falar com o paciente”.

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O projeto Escape Room utiliza duas metodologias ativas de aprendizagem: a simulação realística e a gamificação

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A atividade é conduzida pelos docentes da Medicina Guarujá André Luís Andriolo e Matheus de Sousa Arci, e visa propor situações de emergência por meio de simulações e desafios para preparar os alunos para esses atendimentos