Aluna da Unaerp Guarujá é vice-campeã no concurso de poesia do Fescete 2025

Com a poesia “Gritos”, que aborda a problemática da violência contra a mulher, a estudante da 3ª etapa de Direito da Unaerp Guarujá, Anna Luiza de Souza de Amorim, sagrou-se vice-campeã no 21º Concurso Estudantil de Poesia do Fescete 2025 - Festival de Cenas Teatrais. A cerimônia aconteceu na noite dessa segunda-feira (16/06), no Teatro Municipal Braz Cubas, em Santos. 

Foram mais de 200 poesias inscritas no concurso, realizado durante um dos principais festivais teatrais do País. Isso representa uma grande honra para a universitária e jovem poetisa. “A premiação foi ótima, compartilhando palco com peças maravilhosas de teatro infantil, e cheia de emoção. Minha poesia ter ficado em 2º lugar foi incrível, pois entre tantas poesias impecáveis, receber um destaque tão grande é incrível e me faz acreditar ainda mais que estou no caminho certo, de tocar assuntos sensíveis de forma serena”.

Confira abaixo a poesia.


Gritos
Quero sair nas ruas
na hora e onde eu quiser
sem medos ou amarras
mas nasci sentenciada: sou mulher

Em nosso mundo
homem fazer o que bem entender
é permitido
Mas mulher sair na noitada? Ah, isso não é!

Me deixe dançar
usar a roupa que quiser
Me deixe rodar
sem precisar lutar para me manter de pé

Se Vitória é mulher
e Maria também
Logo, toda Maria, Vitória é
de adulta a neném

Sou Angêla, Luiza, Cláudia
Maria da Penha, Talita
Também sou Ana, Leticia
Sou Mari e sou Klara

Sou uma das vítimas de violência contra a mulher
Sou todas as mais de onze mil meninas vítimas de violência sexual anualmente no Brasil
E sou todas as vozes silenciadas no mundo, quase sem fé
Sou as mulheres que por dentro sentem o vazio.

 

Anna Luiza escreve poesias desde 2014 e conta que já chegou a participar de outros concursos, mas é a primeira vez que representou a universidade. A decisão em escrever sobre esse tema surgiu após o caso de uma jovem que foi assassinada quando voltava do trabalho. Para ela, este é um assunto que precisa ser debatido, e através da poesia, “podemos inserir temas mais sensíveis na sociedade de forma mais sutil”, ressalta a aluna.