Pesquisa da Unaerp avalia o impacto da prática de exercícios físicos em cadeirantes

Estudo desenvolvido por docente e alunos do curso de Medicina da Unaerp aponta que exercícios físicos realizados por cadeirantes podem atenuar danos cardiovasculares. A pesquisa intitulada "Avaliação do retorno venoso em pacientes com atrofia muscular de membros inferiores: qualidade de vida e marcadores bioquímicos" demonstrou que a prática de atividades físicas regulares também influencia positivamente a qualidade de vida e a autopercepção dos deficientes.
 
Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos, o trabalho envolveu profissionais atletas cadeirantes da equipe de basquete que treina na Cava do Bosque, em Ribeirão Preto, e pacientes não atletas que fazem seguimento na Clínica de Fisioterapia da Universidade. Foi elencado também um grupo de controle com voluntários não-cadeirantes. O principal objetivo da pesquisa foi avaliar o impacto do exercício físico em pacientes com atrofia muscular nos membros inferiores por meio de análise de três biomarcadores: um de coagulação, outro vasodilatador e um indicador da produção mitocondrial de espécies reativas de oxigênio - que, de forma simplificada, pode ser definida como a produção de energia que mantém o organismo em funcionamento. A qualidade de vida foi observada com base em questionários validados e padronizados pela Organização Mundial da Saúde.
 
Em termos práticos a pesquisa obteve dois grandes grupos de resultados. O primeiro, referente à qualidade de vida, mostrou que com a prática de exercícios os cadeirantes apresentam menos formigamento em membros superiores, se percebem mais dispostos e isso foi igual para os dois grupos (atletas e não atletas). A outra conclusão, sobre marcadores bioquímicos, corrobora em mais segurança para a prescrição de exercícios regulares para cadeirantes, pois foi observado que apesar da elevação da atividade mitocondrial durante a prática de atividades existe um mecanismo antioxidante compensatório acionado, o que elimina os motivos para a preocupação. 
 
"Observamos também que a prática de atividade física envolvendo exercício com a parte superior do corpo não foi estatisticamente diferente entre os grupos de cadeirantes, o que aponta o potencial da reabilitação desenvolvida na Clínica de Fisioterapia da Unaerp. Por outro lado, a qualidade de vida dos atletas foi ligeiramente superior aos pacientes que fazem apenas reabilitação, mas até isso foi interessante, pois os não atletas se sentiram motivados a conviver ainda mais com outras pessoas", conta a professora do curso de Medicina da Universidade e responsável pela pesquisa, Carolina Baraldi Araujo Restini. 
 
No fim de abril, alunos do Centro Acadêmico de Medicina apresentaram os resultados fisiológicos do trabalho para os cadeirantes que foram voluntários da pesquisa. "Os alunos aprenderam, vivenciaram e foram motivados, mas os grandes beneficiados foram os pacientes ao ver os resultados positivos das atividades que realizam na Clínica de Fisioterapia da Unaerp e que o estudo gerou dados científicos importantes", conta Carolina.  
 
 
Publicações internacionais e apresentações em Congressos
 
A pesquisa foi desenvolvida em conjunto com dois alunos do curso de Medicina da Unaerp que tiveram bolsa institucional PIBIC, Raquel Caroline Andrade Paiva e Eduardo José Rodrigues Garbeloti, orientandos da professora Carolina, além de contar com a colaboração dos professores da Unaerp Carlos Eduardo Miranda, do curso de Ciências Farmacêuticas, e Marina Durand, do curso de Medicina.

Em 2014, Raquel Paiva apresentou a primeira parte do estudo, referente à qualidade de vida dos pacientes, no 46th Brazilian Congress of Pharmacology and Experimental Therapeutics, que aconteceu em Fortaleza (CE). 
 
No mesmo ano, o periodíco britânico, British Journal of Medicine & Medical Research publicou na edição 4 (28) o artigo "Self-perception of Venous Symptoms and Quality of Life Analysis in Wheelchair Athletes and Non-athletes: A Pilot Study".
 
O aluno Eduardo Garbeloti se empenhou no estudo dos biomarcadores, a segunda parte da pesquisa, que foi apresentada pela professora Carolina Baraldi no Experimental Biology, que aconteceu em  2015, em Boston, EUA. Esse trabalho foi publicado em maio de 2016 por uma revista internacional indexada no pubmed, a BBA Clinical, com o título "Biochemical biomarkers are not dependent on physical exercise in patients with spinal cord injury" e pode ser acessado clicando aqui.