Mutirão do Olho Diabético e do Diabetes atende mais de 300 pessoas

O Mutirão do Olho Diabético e do Diabetes realizado ontem no Hospital Electro Electro Bonini, na Unaerp, atendeu mais de 300 pacientes que passaram por exames oftalmológicos, além de consultas com endocrinologistas, nefrologistas e cardiologistas, especialidades médicas que trabalharam integradas nesse atendimento gratuito à população. O objetivo do Mutirão, segundo a coordenadora da campanha, médica e professora Francyne Veiga Reis Cyrino, é prevenir e orientar sobre os riscos causados pelo diabetes, especialmente na parte oftalmológica.

“O grande objetivo desta campanha é prevenir contra a cegueira, que pode ser uma das decorrências do diabetes”, explicou a médica. Os exames realizados no Hospital são preventivos e essenciais para diagnosticar o estado geral de saúde, particularmente os relacionados ao diabetes e aos problemas de retina. Com essa iniciativa das Ligas Acadêmicas de Oftalmologia, Endocrinologia, Nefrologia e Cardiologia, pacientes de toda a cidade e também da região tiveram acesso rápido e multidisciplinar a exames que podem ser caros e que permitem um diagnóstico precoce, evitando complicações como a perda parcial ou total da visão.

ESPERANÇA NO MUTIRÃO
Por volta das 6h30 da manhã já havia fila na porta do Hospital Electro Bonini, na Avenida Leão XIII. Luiz dos Santos, 52 anos, morador da Vila Tibério, compareceu à Unaerp com muita esperança. “Espero receber o atendimento e fazer os exames necessários, pois estou perdendo a visão do meu olho bom”. Anos atrás, Santos teve seu olho direito afetado num acidente de carro e agora está muito preocupado com a catarata que avança rapidamente no olho esquerdo”. Quem o alertou sobre o Mutirão do Olho foi sua irmã que ouviu a notícia numa emissora de rádio local.

No caso do senhor Ismael Silva, 68 anos, diabético, a televisão foi o canal por onde ele ficou sabendo do atendimento gratuito oferecido por médicos arregimentados pela oftalmologista Francine. Silva chegou esperançoso à Universidade. “A população não tem nada hoje em dia. Então, assim que fiquei sabendo do Mutirão me organizei para vir fazer os exames”. O aposentado não tem mais plano de saúde, pois o alto custo inviabilizou que ele e sua esposa continuassem pagando. “Agora eu dependo do SUS e de iniciativas como essa da Unaerp”, disse.

Cerca de duas dezenas de estudantes integrantes das Ligas Médicas do curso de Medicina da Unaerp atuaram no Mutirão, fazendo o primeiro contato com os pacientes que, ao chegar à Universidade, recebiam uma senha e eram encaminhados para a recepção. Ali, informavam seus dados pessoais e eram encaminhados para o exame de vista. Em seguida, os portadores de diabetes seguiam para exames mais sofisticados, de fundo de olho e de retina, além de também passarem pela consulta em endocrinologia, nefrologia e cardiologia. Os não diabéticos também passaram por esses especialistas para avaliações preventivas.

Cristina Aparecida Moita Rosseto estava acompanhando sua amiga Maria Ferreira de Oliveira que é cega desde os 18 anos. A paciente não tem família e reside na Associação dos Deficientes Visuais, na rua Lafaiete, centro da cidade. Sem recursos, o Mutirão foi uma alternativa bem-vinda para a realização de exames importantes. “Faço trabalho voluntário e me tornei amiga da Maria. Hoje a trouxe aqui para que ela passe por exames que dificilmente seriam acessíveis”, explicou Cristina.

Este foi o quinto Mutirão do Olho Diabético e do Diabetes coordenado pela médica Francine. A data da campanha foi definida como parte das ações do Dia Mundial do Diabetes, comemorado em 14 de novembro. A doença atinge aproximadamente 420 milhões de pessoas em todo o mundo e 16 milhões no Brasil de acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado em abril de 2016. Ações preventivas como essa são fundamentais para reduzir a incidência de consequências graves decorrentes do mal, entre eles as patologias que afetam a retina e podem levar à cegueira.
A coordenadora da campanha, médica e professora Francyne Veiga Reis Cyrino


Luiz dos Santos, 52 anos, morador da Vila Tibério, veio fazer os exames pois acredita que está perdendo a visão


O senhor Ismael Silva, 68 anos, diabético, não tem mais plano de saúde e aproveita iniciativas como essa para cuidar da saúde


Cristina Aparecida Moita Rosseto (em pé) estava acompanhando sua amiga Maria Ferreira de Oliveira que é cega desde os 18 anos