Projeto SuperAção inclui portadores de deficiência

Por Rassios Miranda*

O conjunto poliesportivo da Unaerp sediou hoje, 31, de manhã uma atividade de apresentação do Projeto SuperAção, o programa de atividades esportivas gratuitas para portadores de deficiência física, realizado pela APEC (Associação Pró Esporte e Cultura). Os alunos participantes são do Centro de Educação Especial Egydio Pedreschi e da Adevirp (Associação dos Deficientes Visuais). A atividade desta manhã teve apresentação e demonstração de equipes esportivas, palestras e projeção de vídeos.

O SuperAção oferece aulas gratuitas das modalidades Badminton, Natação, Basquete em cadeira de rodas, Futebol de sete, Futebol de cinco e Golbol, para portadores de deficiência praticarem esses esportes. A estrutura do centro poliesportivo da Unaerp está abraçando o projeto e incentivando também a prática do basquete sobre rodas.

A APEC é uma entidade sem fins lucrativos, de Ribeirão Preto, que, por meio da captação de recursos de empresas apoiadoras e da lei de incentivo à saúde do Pronas (Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde de Pessoas com Deficiência), promove a segunda edição do programa.

O professor Erik Bueno de Ávila, auxiliar operacional do projeto pela APEC, explica que a parceria com a Unaerp foi rápida e acessível. “Ganha a APEC e ganha a Unaerp por essa parceria que torna possível mais um SuperAção. Erik destaca, ainda, o fato de a Unaerp estar localizada muito próxima a três importantes entidades de atendimento ao portador de deficiência: Centro de Educação Especial Egydio Pedreschi; APAE (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Ribeirão Preto) e o Centro Ann Sullivan do Brasil. Essa proximidade facilita a locomoção entre as instituições e o campus da Unaerp.

Para Erik, é muito interessante divulgar que Ribeirão Preto está entrando em uma rota importante de apoio a portadores de deficiência, ainda mais na parte esportiva. “Essas pessoas muitas vezes não têm atividades extras, além de escola. O SuperAção vem cobrir uma lacuna”.

ESPÍRITO COMPETIDOR – Entre os professores que integram o time do projeto SuperAção está o educador físico Maurício Pessoa. Bacharel em Educação Física pela Unaerp, é professor de natação há mais de 45 anos. Apaixonado por esporte, Pessoa compete em piscinas há mais de 17 anos e coleciona por volta de mil medalhas. É decacampeão brasileiro e atual recordista sul-americano na categoria 50 metros livres na piscina. Sobre o projeto, Pessoa fala que cada aluno tem suas particularidades e dificuldades, mas isso não desanima os participantes.
"O principal aqui não é formar campeões, mas sim que os participantes tenham uma socialização entre eles e nós, professores, que estamos aqui para ensinar. A inclusão é mais importante que tudo aqui”. Pessoa conta que é a primeira vez que encara um desafio como esse, já que a natação, dentro do SuperAção, é um esporte possível a pessoas com todos os tipos de deficiência. “Estamos sempre aprendendo algo novo, isso é o mais importante”. Ele conta, ainda, que para manter a motivação dos participantes e fazer com que os alunos tenham vontade de voltar, sempre prepara as aulas com novos exercícios. “A novidade traz motivação a eles”.

MOTIVAÇÃO EXTRA – Carlos Henrique Machado, 51 anos, praticou natação como atleta dos 13 aos 45 anos quando perdeu a visão devido a um deslocamento de retina. Estava há seis anos sem fazer o que mais gosta: nadar.

Com o “SuperAção”, ele pode voltar a praticar e já mostra muita empolgação. “Quando eu soube do projeto, fiquei muito entusiasmado, pois vou melhorar minha mobilidade, além das novas amizades que farei aqui”. Machado já tem planos de voltar a competir. “Tenho um objetivo. Através do professor Maurício, quando eu atingir os níveis de competição, quero voltar a competir como atleta”.

Sarah Augusta Ramos Seki, 20 anos, tem baixa visão desde os 18, devido a um câncer e hidrocefalia. Mas isso não afetou sua motivação para continuar nadando. “Encaro numa boa e não chega a ser uma dificuldade. Minha deficiência me trouxe ainda mais vontade de continuar no esporte”. Sarah destaca a importância de o projeto “SuperAção” reunir profissionais da educação física que dedicam “um pedaço de seus tempos para ajudar a gente”. A aluna ainda se mostra muito motivada em conviver e conhecer pessoas com outras deficiências dentro do projeto.

A técnica da equipe de natação da Unaerp, Lisiane Destro, ressalta como esta modalidade desenvolve uma melhoria na coordenação motora, além de trabalhar com todos os aspectos de força e flexibilidade. Lisiane destaca o fato de esse esporte ser completo. Durante o nado, os alunos utilizam braços e pernas, desenvolvendo membros e musculatura praticamente durante todo o tempo. Além disso, não há impacto.

QUEBRA DE PARADIGMA – Segundo o coordenador do conjunto poliesportivo da Unaerp, Daniel Diniz Bertoni, responsável pelos projetos e eventos no espaço, “a Universidade tem um olhar muito amplo sobre os trabalhos que beneficiem pessoas portadoras de alguma deficiência”. Diz ainda que a parceria entre APEC e Unaerp “vem somar muito e foi boa para todo mundo”.

De acordo com Daniel, é essencial o reconhecimento de que o esporte é um caminho de benefícios imediatos. Ele destaca a importância de o SuperAção gerar inclusão e conscientização das pessoas com alguma deficiência que, talvez, se vejam incapazes de praticarem um esporte. Segundo ele, um projeto como o SuperAção modifica totalmente o conceito de incapacidade. “A importância de um projeto como esse é a quebra do paradigma de que os deficientes não podem praticar esporte. Eles podem e devem, sim, praticar”.

*Rassios Miranda é aluno do curso de Jornalismo da Unaerp e produziu essa reportagem para o “O Repórter”, projeto laboratorial do curso, um jornal comunitário com circulação gratuita dirigida à população residente nos quatro bairros situados no entorno da Universidade, a Ribeirânia, Nova Ribeirânia, Jardim Iguatemi e Jardim Presidente Médici.



O SuperAção oferece aulas esportivas gratuitas para portadores de deficiência