Nada é mais como antes: adaptações em meio a pandemia

Em decorrência da pandemia, o mundo viu a necessidade de se adaptar a um novo estilo de vida, caracterizado pelo isolamento social. Somado às mudanças na rotina, o medo da contaminação e as incertezas em relação ao futuro podem trazer danos à saúde mental. Lidar com todas essas alterações não é fácil, mas quanto mais organizado psicologicamente, mais recursos de enfrentamento podemos criar. É o que afirma a psicóloga Juliana Vendruscolo, professora da Unaerp.

Segundo a profissional, neste momento todos nós podemos apresentar sintomas de ansiedade, tristeza, desânimo, desesperança e sensação de fracasso. Estas são reações à realidade atual e nem sempre configuram um transtorno ou uma doença psíquica. Afinal, estamos vivendo uma situação com a qual não sabemos lidar antecipadamente, o que pode levar a dificuldades na tomada de decisões cotidianas. “Se não houver um processo de reorganização psíquica diante dessa crise, a pessoa pode adoecer”, alerta.

A psicóloga chama a atenção para o fato de que, no momento, a maneira como anteriormente enfrentávamos situações difíceis não é mais válida. “Costumo dizer que a ‘maletinha de ferramentas’ que utilizávamos antes não serve mais agora”. Ela explica a afirmação usando o exemplo de uma pessoa que antes enfrentava e queria saber sobre tudo, mas agora entra em pânico assistindo TV. “Não significa que agora ela ‘fraquejou’, mas que, para manter a saúde mental, ela precisa se colocar de outra forma diante da crise, talvez se preservando mais. É sempre situacional”.

Sendo assim, não adianta querer fazer tudo como era antes: é preciso identificar a forma de organização que é melhor no momento. Aos estudantes, os quais tiveram que se adaptar ao ensino online, é preciso descobrir a forma como se sentem mais ativos, mais integrados para assistir as aulas mediadas por tecnologia. “Alguns precisam levantar; trocar de roupa; mudar de cômodo da casa; outros dizem que ficam bem em sua cama, de pijama. O ponto central é: hoje, o que preciso pra me conectar às demandas que me são colocadas?”.

Diante de tantas incertezas, que impedem a programação mais básica da rotina, é importante direcionarmos a atenção para aquilo que é possível fazer. Devemos viver um dia de cada vez, deixando espaço para qualquer alteração que possa surgir. “Costumo brincar com a seguinte expressão: de noite eu programo a hora que vou acordar, mas se estiver muito cansada posso ficar um pouquinho mais. No café da manhã, vou organizando a rotina do dia. Mas, minha agenda é sempre feita a lápis”, afirma a profissional.


A professora e psicóloga Juliana Vendrúsculo