Hábito comum entre os brasileiros, a automedicação aumentou durante a pandemia. Ao invés de preservar a saúde, a prática pode causar um efeito oposto ao desejado, como explica o professor Gustavo Marin Arado, docente do curso de Farmácia da Unaerp. “Se você não recebeu orientação que tenha sido dada por um profissional da saúde sobre um medicamento, busque a informação antes de utilizá-lo”, alerta.
Até mesmo os remédios utilizados com frequência podem desenvolver efeitos adversos à saúde. Para o professor, qualquer dose a mais, mesmo que não seja tóxica, já coloca a relação risco-benefício fora de ajuste. Somado à combinação de diferentes medicamentos, podem haver diversas alterações em nosso corpo. “O resultado pode variar entre a ausência total dos efeitos esperados, até intoxicações por elevação dos efeitos adversos que coloquem em risco a vida do paciente”, explica.
De acordo com o professor, existem formas de minimizar esses riscos. "De uma forma geral, os medicamentos que não precisam de prescrição são bem conhecidos pelos farmacêuticos e estes devem estar capacitados a orientarem seus pacientes sobre as particularidades pelas quais devem estar atentos. Quando isto ocorre temos a automedicação responsável, situação onde são minimizados amplamente os riscos aos quais os pacientes são expostos, mesmo com os produtos isentos de prescrição".
Arado explica que mesmo para as vitaminas, há riscos de intoxicações. No caso da C, há uma relação com a formação de cálculos renais de oxalato, que podem causar lesões sérias nos rins. “Alguns indivíduos podem ainda apresentar elevações dos níveis sanguíneos de ácido úrico, outros são sensíveis a fenômenos mais raros como elevação anormal dos níveis de ferro”, acrescenta.
Já no caso da vitamina D, pode haver uma elevação nos níveis de cálcio no sangue, além de sintomas leves como sede e volume urinário elevado. “A intensidade dos sintomas para cada indivíduo é variável e em alguns casos aparecem confusão mental, convulsões, coma e até morte”. Por conta disso, é sempre importante consultar um médico ou nutricionista antes de realizar a ingestão.
O professor também chama a atenção para a “caçada” às farmácias, que levaram à falta de medicamentos como a hidroxicloroquina. Ele explica que o uso de um medicamento apenas é justificado quando há uma indicação médica. “O desespero por um tratamento qualquer faz a população ignorar as considerações que apenas os médicos podem fazer sobre benefícios que o medicamento poderia trazer ao infectado. Não corram para a farmácia em busca de um medicamento que poderá trazer complicações de saúde e principalmente, faltar para aqueles que realmente necessitam”.
A desinformação também é algo que preocupa o farmacêutico. Segundo ele, ainda não é possível afirmar a eficácia de nenhum dos medicamentos testados em meio a pandemia, muito menos de “receitas milagrosas” encontradas na internet. “Desconfiem de informações incompletas e não confiem em afirmações do tipo: ‘se há pacientes que tomam tal medicamento uma vida inteira, por que eu não poderia usar por alguns dias?’”. O professor alerta ainda para que as pessoas não cometam atos inconsequentes levadas pelo desespero.

O professor Gustavo Marin Arado, docente do curso de Farmácia da Unaerp






