Coordenador do curso de Medicina é autor de editorial publicado no Lancet Infectious Disease

O coordenador do curso de Medicina da Unaerp, professor Reinaldo Bulgarelli Bestetti, é autor do editorial “Shorter treatment in chronic Chagas disease: a new promise?” (em português: Tratamento mais curto na doença de Chagas crônica: uma nova promessa?), publicado na Lancet Infectious Disease, tradicional revista científica médica do mundo, com fator de impacto 58. 

O editorial, publicado em janeiro, foi escrito em colaboração com o professor Edimar Alcides Bocchi, que também possui, assim como o professor Bestetti, forte atuação na área da cardiologia, especificamente relacionada à doença de Chagas. No texto, que representa a opinião oficial do jornal sobre a temática, os pesquisadores recomendaram um estudo adequado para tratar a doença de Chagas crônica, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. 


Professor Bestetti é autor do editorial “Shorter treatment in chronic Chagas disease: a new promise?

Após a infecção inicial, cerca de 60% das pessoas entram na fase indeterminada da doença de Chagas crônica, inicialmente sem sintomas, mas ainda com a presença do parasita no organismo. No entanto, com o passar dos anos, o paciente infectado pode apresentar complicações como a insuficiência cardíaca. Por outro lado, estudos apontam que cerca de 20% dos pacientes irão desenvolver miocardiopatia chagásica até 20 anos após a infecção inicial, condição que pode ocasionar fibrose cardíaca. 

Nesse contexto, o editorial discutiu a efetividade do tratamento da doença com a recomendação do Benznidazol, medicamento que mata o parasita em 60 dias. No entanto, conforme destacado no artigo, cerca de 35% dos pacientes interrompem a terapia em decorrência dos efeitos colaterais apresentados e, ainda, possíveis consequências mais graves, que tendem a aparecer após 30 dias de tratamento, como a Síndrome de Stevens Johnson e a neurite, lesão inflamatória dos nervos que pode levar à paralisia dos membros inferiores. 

Sendo assim, diante dos desafios enfrentados para o tratamento da doença de Chagas, o editorial publicado na Lancet Infectious Disease apresenta a recomendação para a realização de estudo randomizado controlado com placebo, com duração de um mês. Outra indicação feita pelos pesquisadores é a PCR quantitativa para diagnóstico de infecção, possibilitando quantificar indiretamente se o protozoário se encontra ou não no corpo humano. “A forma seria detectar o parasita porque o Trypanosoma cruzi se esconde nos tecidos, principalmente na glândula adrenal. Acredito que realmente podemos tomar uma decisão certa, pois temos as evidências que com 30 dias aparecem essas complicações”, destaca o professor Bestetti.