Preservação da espécie unha-de-gato é objetivo de parceria entre Unaerp e a Ufopa

Coordenado pela professora Ana Maria Soares Pereira, da Unidade de Biotecnologia, um projeto de pesquisa busca preservar a Uncaria tomentosa, conhecida como “unha-de-gato”, uma planta amazônica medicinal ameaçada de extinção. O trabalho envolve a multiplicação in vitro do banco de germoplasma, realizado na Universidade de Ribeirão Preto e na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém, Pará. 

Recentemente, a pesquisadora realizou uma visita à universidade paraense para levar mudas da espécie Uncaria tomentosa, preservadas no Laboratório de Cultura de Tecidos, na Unidade de Biotecnologia da Unaerp, e no projeto Farmácia da Natureza, em Jurucê, distrito de Jardinópolis, e, dessa maneira, incentivar que o estado seja um dos fornecedores da planta medicinal, utilizada para tratamento de condições como artrite reumatóide e inflamações. 

A espécie Uncaria consta na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), elaborada pelo Ministério da Saúde, que serve como referência para a compra de medicamentos no SUS. Com o objetivo de preservar a planta medicinal, a professora Ana Maria visitou também duas comunidades localizadas em uma unidade extrativista, em Tapajós, onde alunas do Ensino Médio bolsistas do CNPq atuam no Programa de Quintais Produtivos para Mulheres Rurais, promovido pelo Governo Federal, com foco na produção de plantas medicinais e distribuição nas comunidades locais. 


Pesquisa é coordenada pela professora Ana Maria Soares Pereira, da Unidade de Biotecnologia

O trabalho científico teve a participação de alunos de Farmácia bolsistas de iniciação científica da Ufopa, que auxiliam nos quintais produtivos, além do apoio da Promotora de Justiça Ministério Público do Estado do Pará, Lilian Regina Furtado Braga, que coordena o Núcleo de Promoção de Igualdade Étnico-Racial (NIERAC). 

PRESERVAÇÃO DA ESPÉCIE - A professora e pesquisadora Ana Maria, coordenadora da Unidade de Biotecnologia, destaca a importância da implantação do programa nacional voltado para a produção de fitoterápicos e plantas medicinais em todo o país. “Esse projeto precisa chegar nas comunidades mais longínquas e nos povos tradicionais, que detém conhecimento sobre plantas medicinais e sua ação terapêutica. Quanto mais instituições estiverem envolvidas, com minorias, indígenas, quilombolas, caiçaras, ribeirinhos, mais teremos uma ação de justiça social”. 

O coordenador de Pós-Graduação Stricto e Lato Sensu e do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, professor Mozart Marins, enfatiza que a Universidade sempre investiu em pesquisas na área de plantas medicinais, abrangendo a fitoquímica, estudos genéticos e de conservação de bioplasma e desenvolvimento de metodologias de conservação. “Ter um trabalho de preservação assegura que a espécie se mantenha e seja possível fazer uma seleção de linhagens da planta mais resistentes, dando continuidade aos estudos dos princípios ativos que são interesse do Sistema Único de Saúde e permitindo que os povos originários da Amazônia continuem fazendo o uso dessa planta medicinal”.