A descontaminação de águas fluviais com metais pesados é um problema ambiental crítico em regiões de mineração no Brasil. É pensando nisso que um estudo conduzido por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental da Unaerp investiga como descontaminar sedimentos de rios do estado de Minas Gerais localizados em regiões de mineração de ferro utilizando a biorremediação.
Coordenada pelo professor André Pitondo da Silva, a pesquisa encontrou a presença de cádmio, chumbo, cobalto, cobre, cromo, ferro, manganês, mercúrio, níquel, prata e zinco nas águas estudadas. O docente conta que os materiais, considerados metais pesados, são neurotóxicos, por isso podem gerar sequelas, principalmente com exposição a longo prazo.
“Os metais pesados desequilibram o meio ambiente e, consequentemente, a saúde humana e dos animais. Considerando a sustentabilidade, os métodos existentes para o tratamento dessa água são químicos, sendo menos eficientes do que a biorremediação e podem gerar outras contaminações”, destaca Silva.
Além de metais pesados, o pesquisador conta que os resultados iniciais revelaram uma grande variedade de bactérias resistentes - a esses materiais e também a antibióticos - presentes na água dos rios analisados. Entre elas as espécies 'Klebsiella pneumoniae', Escherichia coli, Proteus mirabilis e Pseudomonas aeruginosa, consideradas bactérias ambientais, que também são oportunistas, ou seja, que podem causar doenças quando em contato com indivíduos imunodebilitados.
“Encontramos cepas multirresistentes de todas as bactérias com destaque para a 'Pseudomonas aeruginosa', que é uma bactéria com limitação terapêutica, pois possui poucos antibióticos para seu tratamento. Essa resistência encontrada quase inviabiliza o tratamento do paciente”, informa o professor da Unaerp.
BIORREMEDIAÇÃO - Atualmente, a equipe concentra esforços na análise das concentrações de metais pesados nos pontos de coleta. Porém, na próxima fase do estudo, o doutorando Miguel Moraes, também do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental da Unaerp, realizará um intercâmbio científico junto à Universidade do Porto, em Portugal, para analisar a possibilidade da utilização de clones bacterianos associadas a plantas para erradicar as bactérias e os metais pesados encontrados.
“Vamos utilizar bactérias resistentes combinadas a clones bacterianos recombinantes com o objetivo de criar consórcios bacterianos. Eles serão associados a plantas capazes de potencializar a fitorremediação, técnica que combina o poder biológico de microrganismos e plantas para remover poluentes de forma sustentável”, destaca Silva.
Moraes conta que nesta fase serão utilizadas técnicas como metagenômica, campo da bioinformática e biologia molecular, que permite analisar profundamente a biodiversidade microbiana, para caracterização do microbioma e aprimoramento da fitorremediação. “Se conseguirmos consolidar essa etapa, nossa abordagem com o uso de bactérias e plantas específicas será pioneira no Brasil, pois a biorremediação é pouco estudada e aplicada com bactérias e metais pesados. A inovação poderá transformar a gestão ambiental de áreas contaminadas, contribuindo para as áreas de tecnologia ambiental e biotecnologia”, afirma o professor.
A pesquisa é desenvolvida pela Unaerp em colaboração com a Universidade de São Paulo (USP), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e a Universidade do Porto, em Portugal, por meio de parceria internacional.






