Hoje nos despedimos do professor, teatrólogo e diretor de teatro Magno Bucci, colega e amigo querido, atuante, parceiro e colaborador incansável da Unaerp, mestre da arte e da vida. Magno trabalhava na Unaerp desde 1978, tendo fundado desde1980 o GUT – Grupo Universitário de Teatro, grupo que dirigia até hoje e que é o mais longevo grupo universitário em atuação, de que se tem notícia, no Brasil.
Magno deixa uma vasta produção e direção de um teatro focado na socioeducação, como ele gostava de definir. “O teatro que eu faço hoje é um trabalho só de ampliação de horizontes; eu não tenho preocupação estética. Eu faço um teatro socializador, que tem mais função social do que estética”, costumava dizer em entrevistas concedidas à imprensa.
Sua paixão pelo teatro, sua criatividade vibrante e sua energia contagiante deixaram marcas profundas em todos os projetos que abraçou e em cada pessoa que teve o privilégio de conhecê-lo.
Nascido em São Paulo, em 15 de agosto de 1947, trabalhava na Unaerp há 47 anos e residia em Ribeirão Preto desde 1987. Aqui alargou sua atuação e marcou o cenário cultural da cidade e da região. Além da Unaerp, nas décadas de 2000 e 2010, foi professor na Universidade Federal de São Carlos.
Criou e dirigiu projetos como o AgnosArt, uma companhia teatral profissional, fundada em conjunto com ator e diretor de teatro José Mauricio Cagno, que durou aproximadamente 12 anos e revelou talentos com a atriz Débora Duboc e o jornalista ator Antonio Carlos “Cacalo” de Almeida Campos, falecido recentemente.
Criou também o Coro Cênico Bossa Nossa, ligado à USP Ribeirão Preto, que fez muito sucesso no começo dos anos 2000 e levou Magno a ser convidado para dirigir um grupo semelhante em Roma. Também na USP, junto com José Maurício Cagno ministrou oficinas de teatro para o TRUSP, grupo de teatro daquela Universidade.
Em 2005, o diretor propôs e conseguiu implantar um grupo de teatro na então Cadeia Feminina de Ribeirão Preto e, mais tarde, foi convidado a formar grupo semelhante na Penitenciária de Serra Azul. Nesses dois grupos, Magno disse que precisou rasgar o projeto acadêmico que havia elaborado, pois não servia para nada. “Depois de uma conversa com as meninas, rasguei esse roteiro em mil pedaços. A realidade delas exigia um método de trabalho diferente. Teríamos que descobrir, juntos, como fazer a proposta funcionar”, explicou. As atividades começaram em fevereiro de 2006. Em três meses, a primeira montagem, em homenagem ao Dia das Mães, foi exibida.
Magno era daquelas almas raras que transformam ideias em emoção e palco em vida. Era formado em Pedagogia, e mestre e doutor em Teatro pela ECA-USP. Sua carreira profissional no teatro teve início no histórico TBC (Teatro Brasileiro de Comédia). Mas, sua paixão pela arte no palco tinha sido despertada pela peça “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, com música de Chico Buarque. “Quem fez minha cabeça foi essa encenação no TUCA”, disse em entrevista ao extinto jornal A Cidade. O TUCA (Teatro da Universidade Católica) é o também histórico da PUC, na capital paulista.
A presença de Magno Bucci seguirá viva em cada cena, em cada memória, em cada inspiração que seu teatro e sua pessoa, de alegria contagiante e exigência extrema com seu trabalho, nos deixaram.
DESPEDIDA E HOMENAGEM ao professor e diretor MAGNO BUCCI
22/07/2025 (Terça-feira), das 7h às 10h30. Velório Bom Pastor (Sala 5), Ribeirão Preto (SP).
Velório e Sepultamento
Dia 23/07 (Quarta-feira), das 12h às 15h. Cemitério do Araçá, São Paulo (SP).






