Docente de Medicina da Unaerp tem pesquisa divulgada em periódicos internacionais

O periódico Menopause: The Journal of The North American Menopause Society, considerada uma das melhores publicações de estudos da menopausa do mundo, na edição de junho de 2016, vai divulgar um artigo do coordenador da disciplina de Ginecologia e Obstetrícia do curso de Medicina da Unaerp, o professor Angelo do Carmo Silva Matthes. 
 
Intitulado "Dyspareunia an ever-present discussion", o trabalho aborda a dispareunia na menopausa. Dispareunia é o termo médico usado para casos de dor genital ou pélvica sentida durante ou após o ato sexual. O professor é especializado no assunto e tem seus estudos amplamente divulgados em periódicos internacionais.
 
O artigo resulta do tema central da área de pesquisa de Matthes que também enfoca uma síndrome especial, a SVCR - Síndrome da Vagina Curta Relativa. Esta nomenclatura, criada pelo professor, refere-se a traumatismos nos tecidos do fundo vaginal, frequentemente causados pela incompatibilidade de tamanho dos órgãos genitais, que levam a dispareunia e a dor pélvica crônica.  
 
No material enviado para o Menopause, Matthes defende que apenas o uso de medicamentos não é suficiente para o tratamento. Este também deve incluir a mudança do comportamento sexual e orientações para os parceiros. "Levando isso em consideração, a qualidade da vida sexual das mulheres na menopausa pode melhorar", afirma Matthes. 
 
"Os estudos sobre a SVCR estão abrindo um leque muito grande de pesquisas que tem o objetivo de mostrar que isso é real e que podemos melhorar a vida de muitas mulheres no futuro. Essa é a grande intenção do trabalho, melhorar a qualidade de vida das mulheres", conclui o professor.
 
O Journal of Women's Health Care, revista online internacional que publica artigos sobre a saúde da mulher, também vai publicar um trabalho sobre a SVCR ainda no primeiro semestre de 2016. 
 
Sobre a SVCR
A SVCR - Síndrome da Vagina Curta Relativa é uma constatação clínica que está sendo relatada por Matthes e foi publicada pela primeira vez em 2012, na Revista Brasileira de Sexualidade Humana. Matthes observou que grande parte das mulheres que queixam de dor pélvica inexplicável está relacionada com problemas na relação sexual, com a incompatibilidade entre os órgãos genitais dos parceiros. 

O professor descreve como se daria um quadro completo da Síndrome: "A dor pélvica continuada leva a um quadro que faz com que essa mulher crie uma aversão sexual, passando a não querer ter mais relações sexuais, o que pode gerar questionamentos e desavenças com o parceiro. Na sequência, muitas mulheres assumem a culpa, acreditando ter algum problema e, a partir daí, algumas desenvolvem baixa estima, podendo até entrar em depressão ou ansiedade".

A pesquisa quer conscientizar profissionais da saúde e leigos em geral que o órgão sexual feminino tem um limite de distenção e que existem soluções para ajudar as pacientes. "Orientamos repouso sexual por 20 dias, medicar com anti-inflamatório e depois a paciente pode voltar à prática sexual adotando determinadas posições para impedir que ocorra a penetração total", afirma Matthes. "A grande importância social do estudo é que as mulheres entendam isso, os parceiros entendam e os ginecologistas passem a entender esse quadro. A intenção é melhorar a qualidade de vida das mulheres", conclui Matthes.