Estudos Voltados à Liberação Controlada De Fertilizantes Auxiliam na Redução de Custos na Agricultura

A produção de grãos, seja de cereais ou de oleaginosas, tem grande força na alimentação mundial. Soja, milho, arroz, feijão, trigo e algodão estão entre os principais grãos produzidos no Brasil, que assume a quarta colocação na produção mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. 

Segundo levantamento divulgado pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a produção de grãos aumentou mais de 600% nos últimos 46 anos, sem ampliar a área plantada em grandes proporções, representando 161,5%. Esse cenário torna-se um desafio para o agronegócio, visto que, em resposta ao crescimento populacional mundial, a demanda por alimentos deve aumentar mais de 50% nos próximos 30 anos, apontam estudos da Universidade de Wageningen. 

Diante da necessidade do aumento da produtividade dos alimentos e a grande dificuldade em aumentar na mesma escala a área plantada, estudos direcionados à liberação controlada de fertilizantes são desenvolvidos no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental da Unaerp, sob coordenação do professor Ricardo Bortoletto-Santos. 

Nesse contexto, são feitos e estudados materiais para o revestimento na superfície de diferentes nutrientes, utilizando materiais biodegradáveis e de baixo custo, principalmente derivados de óleos vegetais, como óleo de mamona, e matrizes de amido ou mandioca, por exemplo. São desenvolvidas, dessa maneira, tecnologias e materiais que permitem ter esse controle e ajustar a liberação do fertilizante, a partir da sincronização com a demanda da planta, buscando uma melhoria na distribuição dos nutrientes e a redução de perdas por consequência.  

"Os fertilizantes comerciais que temos hoje, principalmente os granulados, apresentam alta solubilidade, fazendo com que o nutriente esteja rapidamente disponível para a planta quando aplicado no solo, só que a planta não absorve tudo de uma única vez. Por exemplo, a ureia pode ter metade do que foi aplicado perdido e no caso do fósforo, dependendo de alguns fertilizantes, essa perda pode chegar até 80%. É uma perda, de fato, muito alta do que poderia ser aproveitado pela planta”, explica Bortoletto-Santos.  


Materiais biodegradáveis são utilizados como revestimento na superfície dos fertilizantes

USO EM SEMENTES - Os materiais utilizados na liberação controlada permitem ainda a adição de outros componentes, a exemplo de argilas e até mesmo alguns microrganismos, como fungos ou bactérias benéficas para a planta. “Hoje um dos microrganismos que está sendo bem explorado, a nível industrial e a nível de pesquisa, são os microrganismos para a parte de biocontrole. Você tem uma praga ou algo do tipo, e em vez de você entrar com um defensivo agrícola, um agente químico, acabamos fazendo essa mediação e controle a partir de um microrganismo”, diz o pesquisador. 

Além disso, o revestimento empregado na superfície não se limita à aplicação em fertilizantes, podendo também ser utilizado em sementes, segundo Bortoletto-Santos. 

A tecnologia auxilia na redução dos custos na agricultura e contribui com o meio ambiente, já que introduz um agente biodegradável no solo. "O agro busca desempenho, porque ele tem que manter ou aumentar a produtividade, então se o produtor quer aumentar o desempenho e ainda reduzir custos, não é fácil. A palavra-chave aqui são novos materiais que se ajustam a esse tipo de necessidade. Esses materiais não são necessariamente mais caros e são de uma base natural, o que é outro apelo", destaca o coordenador do Programa de Pós-Graduação de Tecnologia Ambiental, professor Murilo Daniel de Mello Innocentini.

PARCERIAS NO SETOR - Os trabalhos de pesquisa são desenvolvidos em cooperação com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), referência nacional em pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, e instituições como Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UfSCar) e Universidade Estadual Paulista (Unesp). O Programa de Pós-Graduação também possui parcerias com universidades estrangeiras e com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (United States Department of Agriculture – USDA).


Liberação do fertilizante é feita a partir da sincronização com a demanda da planta