Pesquisa Desenvolvida na Unaerp Pode Contribuir com Agricultura de Precisão

Nativa da região tropical do Indo-Pacífico — que se estende da Índia ao litoral da China — a macroalga marinha Kappaphycus alvarezii recentemente passou a servir como bioestimulante na agroindústria atuando como uma alternativa para fertilizantes químicos importados. No Brasil, a macroalga é cultivada em diferentes áreas do país e por conta disso seu extrato pode apresentar diferentes perfis químicos, isto é, diversas propriedades.

Juliano Kump Mathion, autor do projeto de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade de Ribeirão Preto - Unaerp, "Composição química e efeito agronômico do extrato líquido da macroalga marinha Kappaphycus alvarezii (Rhodophyta, Gigartinales) de fazendas marinhas brasileiras", explica que a padronização da composição química do extrato é essencial para a qualidade e eficácia do extrato como bioestimulante. “Pela grande precisão das composições e aplicações dos fertilizantes utilizados na agroindústria nacional é de suma importância que saibamos exatamente a composição dos diferentes extratos produzidos no Brasil, além de entender suas possíveis variações que poderão ser interessantes para diferentes culturas agrícolas do país”, explica Mathion.


A macroalga marinha Kappaphycus alvarezii é cultivada em diferentes áreas do Brasil

Apesar de estar nos estágios iniciais da pesquisa, o trabalho de Mathion pode no futuro auxiliar no desenvolvimento da agricultura de precisão por meio da identificação da melhor região do país e período do ano para a extração do material biológico, bem como o melhor método de colheita, e assim indicar a maneira mais adequada de utilizar o extrato. Além disso, de acordo com o professor e orientador da pesquisa Mozart Marins, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, o estudo possibilitará o aumento de produtividade especialmente nas culturas de soja, cana, café e hortaliças.

MEIO AMBIENTE - Além do uso mais preciso e econômico, o bioestimulante feito através do extrato da Kappaphycus alvarezii pode representar uma alternativa mais sustentável que corrobora com o Programa Nacional de Bioinsumos  — de responsabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)  — programa este que incentiva o desenvolvimento de soluções tecnológicas para superar a dependência de insumos importados por parte do setor agrícola com uso sustentável da biodiversidade brasileira, além de trabalhar em consonância com os objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). 

Marins também explica que “o cultivo de algas marinhas poderá ter impacto altamente positivo no meio ambiente pelo sequestro de carbono da atmosfera, recuperação de biodiversidade marinha, geração de emprego e renda para as populações costeiras, além de contribuir para o desenvolvimento da agricultura brasileira".

Confira matéria sobre o estudo produzida pela TV Unaerp


Estudo possibilitará aumento de produtividade em culturas de soja, cana, café e hortaliças