Estudo da Unaerp contribui para redução do volume de vinhaça na produção de etanol

O desenvolvimento de tecnologias de integração energética para redução do volume de vinhaça, principal resíduo da indústria sucroalcooleira, gerado durante a produção de etanol, é tema de estudo no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental da Unaerp, em contribuição ao agronegócio. 

Desenvolvida pelo mestrando Gianpaolo Barci, a pesquisa busca atribuir um valor maior ao resíduo que atualmente é descartado no campo através da técnica de fertirrigação. Além disso, o intuito é solucionar uma importante problemática das usinas, já que o volume da vinhaça derivado da fermentação pode chegar atualmente a um volume 15 vezes maior do que o de álcool produzido. 

A quantidade de vinhaça gerada em média pelo Brasil é alta: aproximadamente 170 bilhões de litros. Também, o resíduo é rico em potássio e sua aplicação em excesso pode provocar alterações nas propriedades químicas do solo. 

Segundo Barci, a destilação, processo utilizado na produção de álcool, é uma das operações unitárias menos eficientes que existem, pois cerca de 90% da energia inserida na coluna de destilação para separação dos componentes, é perdida no condensador, sendo dissipada para o ambiente. Nesse contexto, a energia seria reaproveitada em outra operação, que consiste na redução do volume de vinhaça via vaporação. 

INOVAÇÃO NO AGRONEGÓCIO - O uso controlado da vinhaça é reconhecido como uma boa prática na cultura da cana de açúcar, do ponto de vista ambiental e do produtivo. Nesse cenário, Barci destaca a importância do desenvolvimento de tecnologias inovadoras que contribuam para a redução do volume do resíduo. 

O pesquisador explica que mesmo as destilarias mais modernas geram em torno de 9 e 10 litros de vinhaça para cada litro de etanol, um valor ainda muito alto. “Com o sistema de evaporação, conseguimos baixar isso de 15 para 1, 6 para 1, 3 para 1, somos capazes de baixar até de 1 para 1. Isso nunca foi feito, com um custo menor e utilizando energia que seria usada na própria usina, sem acréscimo”, afirma. 

Segundo o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental, professor Murilo Daniel de Mello Innocentini, os estudos desenvolvidos na Instituição voltados ao agronegócio buscam desenvolver alternativas tecnológicas para solucionar problemáticas reais das usinas, e, paralelamente, ambientais.

O pesquisador ressalta que o estudo busca reduzir o volume da vinhaça em sua origem, considerando um viés não só ambiental, mas também econômico. “É necessário fazer um dimensionamento de equipamentos, de processo, otimização energética, para que a usina consiga utilizar essa tecnologia, senão ela fica simplesmente nesse meio científico e queremos transformar isso em conhecimento tecnológico aplicado”, destaca Innocentini. 

Confira matéria sobre o estudo produzida pela TV Unaerp