Estudo Desenvolvido na Unidade de Biotecnologia Pode Auxiliar no Controle de Pragas e Ervas Daninhas



Atualmente o desenvolvimento de pesquisas com semioquímicos — substâncias secundárias produzidos pelas plantas que podem provocar modificações em plantas próximas, como alterações no crescimento, mecanismo respiratório, fotossíntese e absorção de nutrientes — para controle de pragas são foco da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instituição que é referência nacional em estudos e desenvolvimento de tecnologias direcionadas ao agronegócio.

Pesquisas voltadas ao setor apontam que derivados de alquilbenzoquinonas – classe de compostos orgânicos secundários produzidos por espécies vegetais – atuam como um feromônio de agregação e de alarme, que sinalizam fontes de alimentos e situações de perigo, respectivamente, o que possibilita manter as pragas afastadas das áreas de interesse, contribuindo para a redução dos prejuízos econômicos na agricultura.

Neste cenário, estudos químicos realizados com a espécie Myrsine leuconeura, na Unidade de Biotecnologia da Unaerp, têm resultado no isolamento, purificação e identificação estrutural de derivados de alquilbenzoquinonas e sua respectiva avaliação biológica. As entrecascas da espécie utilizadas na avaliação foram obtidas na Fazenda Santa Maria, em Sacramento.

O estudo faz parte da tese da doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, Adriana Patricia Laurenti Coelho, também docente da Universidade, com orientação da professora Silvia Helena Taleb Contini, responsável pelo isolamento e identificação estrutural das moléculas. Também contribuem para o desenvolvimento da pesquisa as docentes Ana Maria Soares Pereira e Juliana da Silva Coppede, responsáveis pelo fornecimento do material vegetal e pelas atividades biológicas, respectivamente.

Além do processo de identificação das benzoquinonas, foram realizadas outras análises no material de estudo como ensaio de antioxidantes in vitro, através do método DPPH, determinação de concentração de toxicidade e as atividades antimicrobiana e oxidantes da substância. 


Estudos químicos com a espécie Myrsine leuconeura são realizados na Unidade de Biotecnologia

ALTERAÇÕES EM PLANTAS - A pesquisadora Adriana Patricia Laurenti Coelho explica que os semioquímicos são capazes de modificar o comportamento e provocar efeitos nas plantas, o que pode acontecer até mesmo pelas folhas que caem no solo. “Isso é produzido pelas ervas daninhas, por exemplo, mas podemos usar essas substâncias a favor das plantações, de preservar o crescimento da planta de interesse e fazer com que esses semioquímicos possam agir nas ervas daninhas”.

No contexto do agronegócio, o estudo pode auxiliar na identificação de moléculas da classe das alquilbenzoquinonas, a partir de fontes vegetais, e impulsionar o desenvolvimento de produtos novos e mais sustentáveis voltados à aplicação na agricultura, contribuindo para a redução de infestações e grandes comprometimentos da área plantada.

“Podemos estudar essa substância que foi isolada, da espécie Myrsine leuconeura, para controle de pragas, na plantação de outras espécies que possam prejudicar o desenvolvimento das plantas de interesse, além de fazer o controle dessas ervas daninhas para que não afete a plantação”, destaca Adriana.